segunda-feira, 22 de março de 2010

Papo de negociador



Sentado na sala de espera de um escritório de cobrança amigável e judicial "foleio" revistas do setor e relembro os tempos que eu trabalhava em escritórios de cobrança.

As aventuras, as tensões das negociações...

Enquanto relembro, observo os clientes que comparecem no escritório para finalizar os acordos e, ao chegarem, descobrem que a história não é exatamente a mesma que foi combinada pelo telefone.

De três casos que presencio em 20 minutos, os três tem divergências entre o combinado por telefone e pessoalmente.

A tática de conversa com o cliente é a mesma:
1. Todos que atendem pelo telefone, não podem atender pessoalmente ou não estão na empresa.
2. Os valores do refinanciamento não batem.
3. Os contratos criam responsabilidades enormes para o devedor.

 Criando uma saia justa para os atendentes.

 Frases como, o operador não soube explicar direito ou, o senhor pode ter se confundido, são utilizadas corriqueiramente.

Finalmente, como regra, os contratos não podem sair do escritório, nem mesmo para serem analisados pelos advogados dos clientes.

Noto que as regras e orientações que eram passadas para os funcionários, no meu tempo de cobrança, continuam valendo nos dias de hoje. As orientações continuam no sentido de tentar enrolar o cliente para ele ir no escritório e lá ele ser espremido ao máximo para assinar o contrato. Técnicas como o uso dos termos "facilidades e condições especiais para o refinanciamento" e uso de nomes falsos são aplicadas nos clientes devedores.

Não era assim que eu determinava, para que meus funcionários atuassem, mas, era assim que o mercado todo agia.
Tentamos inovar em nosso escritório.
Não creio que fracassamos, pois, até nossos melhores negociadores eram disputados no mercado de trabalho, entre outros escritórios maiores, ou instituições financeiras.
O volume de acordos eram bom. Só não era melhor, pois, um dos meus sócios, metia muito os "pés pelas mãos" e alguns clientes para ver ele "quebrar a cara", mandava o osso do osso, como carteira para negociarmos.

Dá para contar, boas e divertidas histórias daquele tempo.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Alguém me observa


06/02/2010 - Rodovia entre Sorocaba e Campinas

Estava eu seguindo para Araraquara, de ônibus e, em meu primeiro trecho entre Sorocaba e Araraquara eu estava em minha poltrona com a sensação de estar sendo observado por alguém.
Olho para os lados e não encontro ninguém que estivesse atento aos meus movimentos.
Meus pensamentos passeiam por toda uma história de 5 anos...
A história de uma moto Twister prata, fabricada em 2005.
Vou lembrando do momento da compra, no dia 07/04/2005, das primeiras voltas, dos primeiros tombos.
Das grandes viagens cheias de esperanças de um futuro melhor.
Na sequência, começo a lembrar de quando não vi outra saída a não ser, vender a moto para o meu irmão Rogério. Era 06/02/2008.

Lembro do tempo que segui "a pé" para todo lugar que precisava ir.
Entrevistas de emprego, visitas à clientes e muitas limitações me acompanhavam nestes dias.
Não que fosse impossível viver a pé, visto que, em muita ocasião da minha vida foi assim que vivi, mas, tudo tinha o prazo alongado.
Uma visita, um compromisso não podia ser agendado com menos de uma hora, para dar tempo de eu me deslocar até o local.
Tinha que tomar cuidado para não suar demais e chegar com uma péssima aparência.
Hoje é um dia em que estou feliz!
Sigo de ônibus por esses mais de 300Km, com a expectativa de poder recomprar a Twister prata.
Os cálculos já foram realizados: Estou num emprego que me permite ter uma renda razoável pelos dias que trabalho e ainda, ganho comissão sobre as vendas.
Uma pequena projeção (contando com a menor renda imaginável) me deixa com condições de pagar um bom valor mensal ao meu irmão.
Tenho pressa de quitar essa moto.
Quero retribuir a ele a ajuda que me deu quando precisei vendê-la. Aliás, a recompra já era algo planejado.
Só que planejava recomprá-la poucos meses após a venda e não após dois anos.
Olho para cima para agradecer a Deus, pela possibilidade e encontro estre estranho ser elétrico a me olhar.
Para mim ali não são lâmpadas e botões e sim, olhos, nariz e boca!
Talvez, nos tempos modernos, estes sejam os olhos dos anjos que nos acompanham...


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Carregando a cesta básica



Sexta Feira 22/01/2010: 10:30

A vida não é fácil para muita gente, não só para mim!

Estou caminhando de volta para casa, depois de uma madrugada de trabalho no CEAGESP e avisto no canteiro central de uma alameda, dois homens, segurando pelas pontas de uma toalha, para poderem carregar uma cesta básica.
Noto pelo cansaço dos dois que já estão caminhando a um bom tempo.
Volto a prestar atenção no meu caminho e alguns passos adiante escuto um barulho de alguma coisa caindo.
Me viro em direção ao som e vejo que a toalha rasgou, deixando a cesta básica ir ao chão.
Os homens olham um para o outro sem saber o que fazer no momento.
Rapidamente cada um pega por um lado da caixa, erguem juntos os dois e prosseguem assim, caminhando meio de lado e quase parando.
Devem estar passando por um dilema entre a vergonha de estar andando com a cesta básica nas costas, por não ter sequer como pegar um ônibus e a falta que esta cesta faz na casa deles.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

10ilusões


Ser astronauta ir na lua e descobrir novos povos.
Ser piloto da aeronáutica e defender a Pátria.
Ser cientista e salvar o mundo.
Ser magistrado e julgar a verdade.
Ser advogado e fazer justiça.
Viver um amor que supere a falta de dinheiro.
Ter um casamento eterno.
Viver em um mundo melhor.
Ter uma vida de sucesso.
Ser cantor de ópera.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Trabalhando na praça




05/12/2009
Campinas - SP

Chego de Araraquara-SP de ônibus desço no terminal rodoviário. Como combinei com minha esposa de irmos passear no shopping, depois do expediente dela em Sorocaba, vou a pé para o centro para dar umas voltas e relembrar velhos tempos em que morava aqui.
Primeiro aproveito para tomar meu milk shake médio de Ovomaltine que ganhei em uma promoção comemorativa do BOB´s.
Só depois de degustar essa delicia eu sigo caminhando pelo centro de Campinas.
Muitas lembranças boas, outras maravilhosas e uma ou outra lembrança triste.
Meus olhos estão arregalados e movo minha cabeça de um lado ao outro tentando encontrar um rosto amigo.
Minhas orelhas em pé, tentam detectar na multidão alguma voz familiar.
Atravesso o centro e sigo para o bairro Cambuí, onde tinha um escritório.
Sigo para o centro de convivência onde pretendo esperar minha esposa e começo a dar voltas pela praça. Na primeira volta somente apreciando a paisagem e as pessoas e na segunda volta, procurando por um orelhão para avisar que já estou na praça.
É neste momento que avisto um senhor sentado no banco da praça ao seu lado uma mala dessas de viagem com alça retrátil e rodinha, com um guarda chuva pendurado. Em seu colo uma caderneta, ele segura nas mãos uma agenda e uma caneta, ao seu lado um papelada amontoada, como se estivesse ali instalado seu escritório.
Instantaneamente lembrei de um outro caso que ouvi a uns anos, onde o pai de um conhecido meu, morava em São Paulo em um bairro nobre e ganhava um salário muito alto, pelo trabalho que realizava em uma grande empresa. E que, certo dia ele foi despedido e como sentia vergonha de confessar para a esposa e filhos que estava desempregado ele continuo por longos meses, fazendo a rotina normal de quando estava empregado.
Acordava bem cedo, tomava banho, fazia a barba, se vestia, tomava café e saia para o trabalho.
Parava em alguma praça e lá ficava até o final do "expediente", quando então, ele retornava para a casa.
Usou toda a sua reserva financeira e sua indenização para manter esta situação, até o dia em que acabou o dinheiro.

Eu também, trabalho em praças. Em várias situações, já estive sentado em um banco, atualizando a agenda ou preenchendo relatório de visitas ou até mesmo ligando para os clientes para agendar nova visita ou cobrar uma resposta.

domingo, 22 de novembro de 2009

Estou preso em algum lugar do limbo


Penso que ainda estou na minha antiga vida na terra.
Converso com as pessoas e não ouço respostas...
Mostro meu RG para minha esposa, brincando que na foto sou o menino mogli e ela não reage.
Decido provocar e fico na mesma posição, ou seja, sentado ao lado dela,
com o braço levantado a sua frente mostrando o RG.
E ela continua assistindo, calmamente a novela.

Em outro momento, sento na cadeira do quarto dos computadores e fico "conversando" com ela.
Eu sentando onde penso ser minha cadeira de meu notebook e ela na cadeira da mesa do desktop.
Peço para ela repetir o endereço do site que está vendo, repito várias vezes o pedido e nada dela responder.
Enquanto ainda estou olhando para ela, sai e vai para a sala.

Tenho lampejos de consciência de que estou morto, mas é momentâneo e logo volto a pensar que estou vivo.
Acho que quando ela está se sentindo sozinha, ela tenta conversar comigo.
Isso também explicaria porque as vezes a vejo chorando pelos cantos da casa.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Coisas que não mudam em Araraquara



Passeando por Araraquara, subindo a 2 e descendo a 3. Footing que não muda, desde o primeiro passeio sozinho, fiz muito esse percurso.
As vezes a noite para passear, esperando encontrar um amigo, alguém conhecido, as vezes de dia procurando uma loja, uma novidade.
No Mercado Municipal, continuo vendo seus pseudos proprietários, ou seja os logistas que pensam que são dono do Mercadão todo.
A Antiga fábrica de meias LUPO, mudou, hoje é um shopping , mas mantém o nome "Lupo",  dentro encontro uma antiga professora de matemática, no ginásio, a Dª Rosinha. Ela durante o ano todo só repetiu a roupa que  usava em duas ocasiões.
Rádio Elétrica Geral, continua igual. Na porta o mesmo luminoso de neon, agora sem funcionar. Lembro que eu ia muito lá, comprar componentes eletrônicos e fuçar as novidades. Cheguei a ir semanas seguidas, para acompanhar o preço do microcomputador que eu queria adquirir, o TK85 e toda semana o preço tinha subido e eu nunca conseguia comprá-lo. Até que minha avó Catarina deu uma mãozinha.
Comprar os softwares para o computador era outra aventura a parte. Tinha que ir lá, ver se já tinha chegado a fica K7 da Microsoft com o software gravado. Depois, outra longa novela se seguia, uma verdadeira saga, para fazer o maledeto computador ler o aplicativo através do gravador "Juruna".
Por outro lado, embora as casas, lojas, lugares, permaneçam muito semelhantes como eram no passado, em 10 anos de ausência, não conheço mais as pessoas da cidade, não fosse rever a Professora e os donos da R.E.G., poderia dizer que estou em outra cidade.
Flutuando em meio a esta nostalgia, toda, sigo pela rua 2, lá na esquina, perto da sorveteria Kawakami, avisto um rapaz com uma Twister parecida com a minha, mochila nas costas, desce da moto, com rodinho  na mão, e se oferece para limpar vitrines. (Serviço interessante!)
Caminho mais um pouco e aviso a Imobiliária Pan do meu amigo de Faculdade, o Éden Julio, ele não está, então sigo para o outro Shopping.
Pego a sessão de cinema às 17:15h, em uma quinta feira, com somente 8 pessoas na sala. Imediatamente vem a saudade das antigas salas de cinema do Graciano, seus cines Veneza, Coral, Plaza e Capri.
Terminada a sessão, caminho para a casa.
Já no estacionamento do Shopping, vejo uma mulher que comprou um coqueiro de 2,50m e faz o marido por dentro do corsa Sedan.
É, realmente as coisas não mudam em Araraquara, menos ainda, as mulheres.