quarta-feira, 29 de novembro de 2000

Vendedor de bilhetes e o aleijado

(Calçadão em frente a telefônica)

Tinha um senhor que vendia bilhetes, tão dado, que gritava pelas ruas:
- Olha o bilhete premiado, olha a mega sena, compre!
Um dia estava tão chateado por não conseguir vender os bilhetes que começou a reclamar:
- Droga, ninguém quer comprar bilhete?
- Não tô robando não!
- Ei? Mão quer ganhar dinheiro?
- Ninguém quer dinheiro?
- É bilhete premiado!
- Droga! Merda!
Ai ele avistou um aleijado. Um senhor que fica o dia todo no mesmo lugar com uma cadeira de rodas e à noite dorme lá na praça mesmo.
Chegou perto dele e vendo que este tinha uns trocados no boné que usava para pedir esmolas... não pensou duas vezes, pegou 1 real e deixou um bilhete de loteria.
O aleijado começou a questionar, mas, o outro ia embora dizendo:
- Se vai ganhar dinehiro, reclama não, o bilhete vale mais.
Não preciso dizer que o aleijado continuou por lá durante muitos anos.

terça-feira, 21 de novembro de 2000

Ticket

Tenho almoçado graças a uma pessoa que gosta muito de mim e paga o almoço, nas jantas como algumas bolachas água e sal e uma xícara de leite com achocolatado. Os mantimentos foram comprados pela mesma pessoa, guardo-os no quarto, como o leite é em pó, não preciso de geladeira.
O quarto é pequeno mas está ótimo e é tudo o que preciso.
Hoje vesti uma das roupas especiais que guardo para entrevistas, constituído de calça azul marinho, camisa azul claro, sapato preto e gravata azul

segunda-feira, 20 de novembro de 2000

Praça das bandeiras

Será mesmo que estou na praça das bandeiras?
Vejo alguns bancos de concreto, palmeiras, algumas árvores, jardins com muita grama e poucas flores, postes de iluminação e... nenhuma bandeira, nem um mastro sequer.
Sorocaba tem uns bairros com nomes engraçados... e agora tem praça com nome nada a ver.
Vejo uma placa indicando "Além linha".
Já vi outro dia "Além ponte".
Ainda bem que é "além linha" e não "fim da linha", aliás, por falar em fim da linha lembrei de um fato engraçado.
Tinha uma cidade que no lá no último quarteirão antes de acabar a cidade, fundaram uma igreja e na sua fachada tinha o letreiro "Igreja do último dia".
Um dia, chegou um forasteiro a esta cidade e vendo a igreja sempre cheia pensou:
- Oras, pois vou montar um negócio melhor que este!
comprou um terreno no quarteirão antes da igreja e construiu seu negócio.
"Casa de massagens do penúltimo dia"
É! Eu sei! A piada foi péssima, mas serviu para introduzir (sem trocadilhos) ao que aconteceu a seguir na praça das bandeiras.
Aproximou-se uma morena com muita "saúde" (para bom entendedor uma palavra basta), sentou-se no banco da frente, procurando chamar a atenção, discretamente.
Cruzava as pernas etc. Mudou para o banco ao lado do meu, e começou o ritual...e eu na minha com cara de "gringo" bobo.
Levantou-se, aproximou-se e perguntou as horas. Falei e ela saiu. Foi até a esquina, pensou e voltou, tropeçou no caminho como por acidente, olhei e sorri. Pronto ela sentiu que podia se aproximar. Sentou ao meu lado confirmou as horas e rolou o seguinte diálogo.
- Pô! Como é cansativo esperar alguém!
- É!
- Você trabalha por aqui?
- Sim. Disse eu com ar de "mais ou menos".
- O que você faz?
- Sou vendedor externo, fico mais na rua.
- O que faz aqui? Espera alguém?
- Não, estou só descansando.
VRUMMMMMMMMMMMMM
Tlanc, tlanc, tlanc, tlanc.
Passou um trem a cem metros de nós na linha que separa os bairros.
- E tú?
- Estou esperando um cara.
- Ele está demorando?
- Atrasado uma hora!
- É! Esperar já é chato, ainda mais quando está atrasado. Disse eu.
Ai ela pergunta: - Vendedor de quê?
Ao dizer a ela que eu era vendedor de consórcios ela desistiu de qualquer proposta indescente e disse.
- Bom, vou embora - Tchau!
Eu devia ter dito antes que esse papinho eu já conhecia e que se eu estava duro éra financeiramente.
hahahahaha!

Sorocaba, 20 de novembro de 2000

sábado, 18 de novembro de 2000

Incutindo o temor

Outro dia estava na praça da matriz e vi um jovem garoto que pregava o evangelho, gritando, pulando.
Passou a dar o testemunho de um tal de Cabo da Marinha que não acreditava em Deus, que teria levado 4 tiros na barriga, que o cabo estava no hospital, morrendo.
Que ele já tinha até o atestado de óbito dizendo "fulano, cabo da marinha, está prestes a morrer".
Já não bastasse tudo isso (inclusive um atestado de óbito ainda em vida), para aterrorizar de vez com as pessoas na praça ele soltou...
A mulher dele quis se separar antes dele morrer e assim ela foi para o Ceará e ele ficou só...
Imagino esse jovem, quando estiver maior, mais velho, quanto poder (através do temor) não vai exercer sobre as pessoas comuns.
Como seria melhor o mundo sem as algemas do medo e com todas as pessoas vivem em harmonia e a plenitude de suas vidas.

sexta-feira, 17 de novembro de 2000

Trabalho para inglês ver

Hoje o tempo está quente na praça da matriz.
Enquanto a policia vinha por um canto da praça revistando as prostitutas, usando para isso policiais femininas com luvas, nesse tempo, algumas prostitutas corriam pelo outro extremo da praça. Parece teatro!
Se a policia quisesse realizar um trabalho sério e não, virar piada, colocaria policiais em cada um dos cantos à espera de quem corresse.
Parece-me essa atividade tão piada quanto o relatório dos trabalhos realizados nos bares no último fim de semana:
Resultado - Nenhum menor bebia bebida alcoólica, todos estavam acompanhados dos seus responsáveis???!!!!
Não é o que vejo quando ando à noite.
Acho que estou precisando de óculos, digo, de tampão... enquanto outros precisam de óculos.

Ops!: Ia esquecendo! Os jovens da Catuaba continuam fazendo sucesso.
Hoje estão bem em frente a matriz.
Acho que descobri a solução para o salário mínimo, basta trocar o dinheiro e passar a pagar em pó de catuaba com guaraná.

17/11/00

quinta-feira, 16 de novembro de 2000

Pregando aos quatro ventos

Um jovem pregava a palavra de Deus, os passantes o consideravam doido e não o olhavam,nem mesmo paravam para ouvi-lo falar.
Ao seu lado direito uma roda enorme se formava para ver dois rapazes fazendo uma performance popular, malabarismos, truques de mágica etc, para vender um pacotinho de pó de catuaba com guaraná que rendia 1 1/2 litro de energético e remédio para mais de uns 50 males.
Ao lado esquerdo, dois garotos com uns 8 anos castigavam seus violões e o ouvido dos pedestres, cantando e as pessoas mesmo assim, davam um trocado.
Acho que até davam dinheiro de dó, pensavam assim "tadinhos com essas vozes vão passar fome!".
Sentado ao me lado estava um senhor, camisa estampada, manga curta, calça preta social, sapato e meias pretas, no bolso esquerdo tinha um guarda chuva, enfiado dentro, não sei como, mas conseguiu colocá-lo dentro. Só sei que era possível ver o cabo do guarda chuva ali no bolso.
Chegou um conterrâneo seu e começaram a conversar não prestei muita atenção mas mesmo assim, acabei ouvindo parte da conversa:
- Olá amigo, bla, bla bla bla.
- Tudo bem! Amigo, bla bla bla... dormindo Banco do Brasil.
- Banco do Brasil?
- É frente Banco do Brasil dormindo, bla bla bla.
- Até amigo!
- Até.
E seguiram, cada um para um lado.
Vejo um furgão da TV, parado ao lado da igreja. Está arguendo sua torre de transmissão.
Logo chegaram umas vãns com o que parece ser um grupo de coral formado por seminaristas e freiras, devem ter alguma missa especial na igreja.
Sentou ao meu lado uma garota, deve ter seus 15, 16 anos. Estava com um sorvete de casquinha na mão e creio que ela resolveu se divertir um pouco comigo ou estava "dando mole" para ser convidada para fazer um programa, pois, ajeitou os cadernos sobre o colo, virou-se lentamente para o meu lado e passou a chupar o sorvete de forma provocadora. Daquela forma que as meninas quando estão virando mulher, sabem fazer bem.
Ora lambia com a lingua, ora enfiava a casquinha toda na boca, sempre passando um segundo sentido.
Assim foi até acabar o sorvete, quando se levantou, sorriu e foi embora. Talvez decepcionada por não ter conseguido minha atenção.
Logo os homens do grupo começam a tocar na escadaria da igreja.
Se eu fosse mais religioso, talvez, pudesse afirmar que o diabo estava ali ao meu lado zombando dessa tarde de canticos religiosos!

Sorocaba, 16 de novembro de 2000.
Praça Fernando Prestes

terça-feira, 14 de novembro de 2000

Taxistas

Galeria Santa Clara
Sorocaba- SP, 14 de novembro de 2000.

De onde estou, neste momento, vejo um grupo de taxistas, um deles está se divertindo com a velha brincadeira de jogar uma imitação de dinheiro no chão, dobrada, para que as pessoas que estão passando se abaixe para pegar. A pouco uma menina entrou nessa brincadeira, agora, um senhor, em seguida, o taxista fica repetindo os gestos das pessoas para os outros rirem, dizendo:
- Pobre é doido para achar dinheiro...passa e zupt, pega o dinheiro.
Ele está se esquecendo que é pobre....portanto está rindo de si mesmo.
Ou vai querer convencer que é muito rico, mas, na verdade, está fantasiado de taxista porque tem como hobbie, dar corridinhas pela cidade, levando pessoas.
Hé! Hé! Hé!