sábado, 9 de março de 2013

O lugar onde moro



O lugar onde moro é de uma beleza estonteante!

Defronte ao apartamento, uma vegetação exuberante, arvores frondosas que tornam a iluminação avermelhada das lampadas de vapor de mercurio, das da rua, mais amena do que já é.
O vento sopra uma brisa gelada, anunciando a chuva que logo vai chegar e já se forma no horizonte, lá em cima da serra de São Francisco, onde está a represa de Itupararanga.
Teremos uma chuva forte, mas, normal, pois quando ela se forma deste lado da cidade é sinal de chuva boa.

Tudo passa lentamente, é um lugar em slow motion, onde a vida não tem pressa.

As nuvens vão cobrindo a cidade lentamente... Avançam de Sul a norte, lá no horizonte, e só depois que estão bem estendidas, começam a cobrir a cidade.

Um vizinho busca o carro, e põe dentro da garagem, sem pressa, esperando os poucos carros que passam neste momento, sumirem, de vista.
Depois, pega o seu cachorro e o leva para passear na praça.
Ele também conhece o bairro e a natureza, sabe que da tempo de passear, tranqüilamente.

Gosto ficar, aqui, na sacada, olhando o horizonte, sempre que tenho um remoinho para apreciar a paisagem. Seja pelas manhãs, entardecer, madrugadas estreladas ou não.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A orquestra da natureza



Quando morava em Araraquara, mesmo sendo uma cidade bem arborizada, nao encontrei tanta intensidade e diversidade de sons de aves como encontro, aqui, onde moro.

Do preocupante rulhar dos pombos (truuuu, truuuuu, truuuuu) ao mais suave pio,é o que contemplo, aqui, em todo amanhecer. É uma verdadeira orquestra! Existe ritmo, harmonia e, em alguns momentos um Bemtevi solista faz sua apresentação. (Bemtevi, Bemtevi, Bemtevi, tevi)

Assim como nas músicas, os piares começam tímidos, quando o sol ainda não surgiu.
O som vai se avolumando na proporção em que o céu vai mudando de cor.
Céu azul intenso com faixa vermelha e laranja no horizonte, estrelas dando tchau.
Logo o céu vai ficando laranja e a abóbada azul claro.
Até marrecos começam a voar emitindo seus sons.
piu, piu, piu
Rui, Rui, Rui
Grei, greiiiii
Piiiiiii, piiiiiii, piiiiiii, piiiiiii
Pio, pio
Gra, gra, gra, gra, gra, gra, gra

Postes começam a se apagar e os pombos ensaiam os primeiros vôos.
A orquestra das árvores próximas ao meu apartamento competem com as das árvores da praça.
Em sincronia a cada poste que se apaga e arvores que voam, surgem novos sons.
Agora de automóveis, que ainda não são muitos, de pessoas que voltam das baladas.

Sons da igreja
Dlon, Dlon, Dlon, Dlon,
Dlon, Dlon, Dlon, Dlon,
Somam-se a orquestra.

O maestro deu o sinal e um senhor vizinho começa a rufar os tambores, com o som de suas pisadas sobre as latas de alumínio que começa a amassar.
Clanc, clanc, claclanc

Por fim, cachorros começam a latir, entremeando au aus e roufs, roufs.

Faço uma saudação à natureza e agradeço pelas árvores que ajudarão a manter o dia um pouco mais fresco, apesar da estiagem.

Hi hi hi hi he hi hi hi hi he he he he....
Ecoa ao longe.



sábado, 27 de outubro de 2012

Viagem




Já fazia um bom tempo que não viajava, então, logo pela manhã comecei a perceber algumas diferenças.

Constatei que minhas camisas sociais encolheram.
Pega uma, pega outra... Todas apertadas.
Acabo trocando toda a vestimenta, uma vez que, mudando a cor da camisa, devia mudar a cor da calça, a cor do sapato e a cor do cinto.

Ao chegar na rodoviária... Modernista rodoparticularviaria de Sorocaba, sou abordado por um casal que pede dinheiro para, inteirar passagem para São Carlos, para ele, a esposa e o filhinho de colo, recém nascido, que teve alta do hospital.
Nem tem linha de onibus para São Carlos, na rodoviária!

Para entrar no onibus, continua igual...
O senhor surdo-mudo é o homem que abre o porta malas, guarda a bagagem e da o comprovante da bagagem.
Depois, ele compensa a gentileza, vendendo docinhos e santinhos dentro do busão, enquanto o onibus da a volta do quarteirão.

Sento e noto que as poltronas, também encolheram.
Entram todos, e o último a entrar é o surdo-mudo que me entrega 4 opções de produtos.

Seguimos viagem...
Ar condicionado ligado, garganta secando, por sorte, lembrei de comprar uma garrafinha de água, antes de entrar no ônibus.

Chegando na rodoviária de Campinas, subo a escada rolante. Vou ao guiche da Empresa Cruz e compro a passagem.
Terei uma hora de espera.

Vou para os bancos.
Quem olha eles tem a primeira impressão de que estão sujos, pois, parte partes brilham e partes não, parecendo que estão melados ou molhados.

Porta automática da loja Vivo, abrindo...
Bobs, levantando os toldos.
Aos poucos o comércio da rodoviária vai dando suas caras.

As pessoas, como já pode se imaginar em uma rodoviária, são dos mais variados tipos.
Moças, com caras de princesinhas assustadas, homens de chapéuzinhos, segurança gordo e gente apressada.

Noto que os relógios foram substituídos por maiores, agora possuem na face a imagem da antiga estação ferroviária.
Não devem, mais, balançar com o vento!

Dou uma volta procurando algo para comer.
Café do ponto com funcionários conversando, distraídos, balcão desorganizado.
Demora no atendimento, acabo desistindo e vou para outro lugar comer algo.

Vejo um peão com alforje e tudo, atravessando a estação, pela sua expressão de grandes expectativas, provavelmente irá para uma cidade onde contecerá um rodeio.
Nerds característicos e suas mochilas de gadgets.
Avisto um jovem correndo para pegar o ônibus, segurando a calça, na verdade um bermudão jeans, para não cair.

Entro no ônibus, sento, aguardando nossa partida para Araraquara, sem saber que na volta as coisas seriam ainda mais divertidas...

Na volta para Sorocaba, novamente na rodoviária de Campinas, um dos passageiros questionará o funcionário da empresa de ônibus, dizendo que comprou passagem para "ônibus executivo" e o ônibus nem tem ar condicionado.
Entrarei neste "executivo" e meu cinto estará preso debaixo do banco...
Tentarei em vão retrairá-lo dali para usar.
E, finalmente, pelo nível das conversas, e pelo tom das vózes, descobrirei estar na "Gaiola das Loucas".

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Alma à venda



Vendo alma 

Seminova!


Amadurecida, pronta para viver a vida!

conservada em ambiente iluminado,

nunca ficou exposta, em excesso, ao mal.

Sempre foi alimentada por um grande coração.

Nunca foi exposta a grandes variações de temperaturas (nehuma viagem internacional) nem curtida em alcool.

Econômica: Trabalha + de 6meses/sorriso recebido.

Tratar com o atual usuário.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Alegria do reencontro



Rodoviária de Campinas

Estou sentando à espera do meu ônibus, quando avisto uma mulher acompanhada da filha passando pelo corredor.
Ela para, gira o pescoço e olha para uma senhora que também caminhava, em sentido contrário.
Imediatamente ela reconhece a senhora, como sendo uma professora de infância dela e começa a sorrir.
Ambas se abraçam e a alegria das duas é contagiante.
Risos altos, alegres, de felicidade!
Uma manifestão assim tão explicita, de carinho, é rara hoje em dia.
Fico ali, perdido entre o brilho dos sorrisos das duas amigas que, aquece, meu coração.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Negocie a meia noite




O ano era 1996, eu trabalhava para o UNIBANCO em um departamento de Recuperação de Crédito.
Nosso trabalho, em resumo, consistia em negociar com clientes que estavam inadimplentes, procurando encontrar uma forma do cliente honrar seus compromissos financeiros (eufemismo né?) Sim, eramos cobradores!
Procuro ser organizado, sigo métodos em tudo o que faço e ao longo do treinamento fui compilando informações.
Reuni essas informações em quadros, organize-as conforme melhor me servissem, e reduzindo a letram consegui colocar todas em duas folhas de papel.
Na primeira, colada na capa da agenda (do lado de dentro) ficava o resumo de operações de uma HP12C.
Essa compilação realizei em duas noites em que fiquei hospedado em um hotel, durante a primeira reunião de equipe da qual participei e na qual recebi, para uso uma calculadora HP12C que vinha, na época, embalada em uma caixa de papelão, com um "grosso" manual (em vários idiomas, exceto o português).
Traduzindo do espanhol, preparei o manual e imprimi uma cópia para mim e algumas para alguns colegas de trabalho.

Na contra capa da agenda, eu havia colado uma outra folha, com as instruções como: Roteiro de entrevista, rotina, organização, etc etc.

Como sou místico, acrescentei em um dos quadros um resumo dos melhores horários para se meditar à respeito de negociações de crédito.
Sendo assim, estavam anotados os horários nos quais eu poderia sentar calmamente e mentalizar para o sucesso da negociação que havia iniciado ou que deveria iniciar.
Quando um amigo pediu para passar cópia desta folha para ele por na sua agenda, os horários para a meditação foram juntos, então, expliquei, um pouco, como funcionava esta tabela de horários.

O tempo passou e certo dia, conversando com uma das novas contratadas da equipe ele comentou que o método de treinamento da equipe tinha mudado.

O novo contratado não mais ia com um negociador para uma região, aprender por uma semana como negociar e sim, ficava em São Paulo, recebendo treinamento em uma sala.
Durante uma das "palestras" de treinamento, foi apresentado a todos, uma compilação de instruções que seria muito útil colarem em suas contra capas das agendas, para eventuais consultas...
Ela disse que o "palestrante" não soube explicar direito o que significavam os horários anotados na tabela, mas, que elas foram enviadas pelo "Diretor".
Imagina o susto dela quando leu que deveria negociar com o devedor de madrugada!

Confira abaixo, as tabelas:



domingo, 24 de julho de 2011

Resgatando emoções




Abro as gavetas, retiro roupas e vasculhos os fundos.
Estou à procura de fotos, slides e monóculos, documentos e cartas,
Qualquer imagem que conte uma história.
É tudo o que preciso neste momento.
Me alimentar de memórias.
Tempos de infância em preto e branco, depois coloridas muito coloridas
agora desbotadas...
Slides de tempos mágicos, muita luz, sol e viagens incriveis.
Fotos das minhas filhas, de quando estive por perto e de quando estive longe.
Lembranças de uma nova vida que surgia e de esperanças de ser o caminho definitivo.
Aos poucos foram se tornando mais escassas, uma aqui outra ali, recebida de presente em datas festivas ou de amigos.
Não deixei de fotografar, pelo contrário, os registros se tornaram digitais.
Se antes em datas festiva, o normal era (com sorte) ter 12 registros, agora são centenas.
O lado bom é ter registro de tudo e poder tirar várias fotos seguidas (para garantir o melhor registro).
O lado ruim é a banalização do registro. A perda da importância de marcar um fato para sempre. De viver o momento como único. Cria-se a falsa ilusão de que tudo pode ser sempre refeito, corrigido ou reeditado.
Arrumo a pilha de imagens na mesa.
Preparo o material necessário para transportá-las para o mundo digital, onde os antigos, novos registros, farão companhia para os novos, antigos registros.
Por sorte não ficarão mais, guardados no fundo das pastas virtuais em uma partição esquecida de um HD.
Estou depositando muitas esperanças nos tabletes.
Acho que finalmente voltaremos a levar albuns em encontros para mostrarmos uns aos outros.
Vamos ser sinceros... não era prático levar um notebook, muito menos confortável, passá-lo de mão em mão em um encontro ou festa.

Dias, seguidos "scanneando", editando, organizando em álbuns, dando nomes e datas.
Só depois espero sentar calmamente em um canto, relaxar e...
Reviver uma vida!